DEFENDER O QUÊ?
Eruditos
protestantes versus eruditos católico-romanos degladiam-se no mundo
digital, o que desde já, demonstra bem a falência espiritual em que
se encontram. Longe está das suas mentes, a pregação do Senhor
Jesus sobre o amor aos inimigos, orar por quem nos persegue e dar a
outra face.
A defesa do que Deus inspirou a escrever não passa por: Debates
e tertúlias exaustivas que animam os egos eruditos e corrompem os
ouvintes/leitores, que se perdem no meio de tanta apologética...o que
não leva a nada de bom.
“Consequentemente,
a fé vem
por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de
Cristo.” - Romanos 10:17.
É
o Evangelho que deve ser propagado e não o que Irineu, Tertuliano,
Agostinho de Hipona, Cipriano, Clemente, Jerónimo, Gregório, Tomás
de Aquino e tantos outros pensaram, escreveram sobre credos,
doutrinas feitas a partir de interpretações da Bíblia e de
tradições humanas que... se obtém fé. Nada do que esses homens
sábios possam ter concluído sobre a Bíblia, é relevante para
se obter a salvação...muito pelo contrário. A história do papado,
de concílios e bulas papais, não servem para a salvação, segundo
Romanos 10:17...muito pelo contrário! O mesmo digo do protestantismo.
Não é sendo um erudito
em história da cristandade, que o erudito está salvo.
Nem
o protestantismo nem o catolicismo romano são fontes de salvação! Haja visto que, ambos promoveram a matança uns dos outros, divisão que dura até hoje.
E
a linguagem que usam nos seus debates, textos e tertúlias são tão
intrincadas e por vezes tão herméticas, que o comum do cristão
desiste de os ler e ouvir e farta-se a meio, porque percebe que os
assuntos debatidos são “só para alguns” e não para ele. Não
há revelação dada para a edificação da igreja; apenas estudo
intenso sobre correntes doutrinárias e filosóficas vindas dos dois
lados das trincheiras, onde a competição é o que os move: “Onde
está o sábio? Onde está o erudito? Onde está o questionador desta
era? Acaso não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?” ...”
Mas
Deus escolheu o que
para o mundo é loucura para envergonhar os sábios, e escolheu o que
para o mundo é fraqueza para envergonhar o que é forte.
Ele escolheu
o que para o mundo é insignificante, desprezado e o que nada é,
para reduzir a nada o que é, a fim de que ninguém se vanglorie
diante Dele.” - 1
Coríntios 1:20, 27-29.
O
pior é quando ambos os eruditos julgam estar a defender a verdade
bíblica; muitas vezes digo: é pior quando o mal se veste de “boa
obra”. Penso sempre que “Deus escolheu o que para o mundo é
loucura, para envergonhar os sábios”.
Defender o quê? A Palavra de Deus? A Palavra é o Senhor Jesus e Ele nunca se defendeu dos seus inimigos: “Seja
a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus,
que, embora sendo
Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia
apegar-se;
mas esvaziou-se a si
mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens.
E,
sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi
obediente até a morte, e morte de cruz!” - Filipenses 2:5-8.
“Herodes
e Pilatos, que até ali eram inimigos, naquele dia tornaram-se
amigos.” - Lucas 23:12.
Não
edifica ninguém que seja cristão, saber a história do papado, o
que eles decretaram e ainda decretam, escrevem, promovem e praticam; porque os
papas não representam a igreja de Cristo. A mim não me interessa em
nada saber coisas como essas, sejam católicos romanos sejam
protestantes, nem em séculos passados nem agora. Não me interessa
nada o que o papa A, B ou C, nem o que Lutero, Calvino, Spurgeon ou outro
semelhante, decretaram ou pregaram. Todos eles advogam doutrinas que
interessam aos seus seguidores, nos quais não me incluo.
Afastam-se
da simplicidade que há em Cristo.
O
apóstolo Paulo fez um aviso muito sério sobre divisões, que me
parece que os “sábios desta era” se esqueceram: “Eu sou de
Paulo”; “Eu sou de Pedro”; “Eu sou de Apolo”, diz ele que,
são posturas mundanas.
Interessa-me
antes saber, o que o Senhor Jesus e os seus apóstolos pregaram,
ensinaram e revelaram à igreja. O que está escrito na Palavra de
Deus é que me interessa saber, aprofundar e orar, e não o que A, B
ou C da história da cristandade advogou. Não me interessa saber o
que papas escreveram em bulas, tratados ou a que conclusão chegou o
concílio A,B ou C; a Palavra de Deus chega-me para tudo!
O
cristão tem a Bíblia para aprender e o Espírito Santo para lhe
revelar, guiar e ensinar a Verdade: “
Mas vocês têm uma unção que procede
do Santo, e todos vocês têm conhecimento...Quanto a
vocês, a unção que receberam Dele permanece em vocês, e
não precisam que alguém os ensine; mas, como a unção
Dele recebida, que é verdadeira e não falsa, os ensina
acerca de todas as coisas, permaneçam Nele como Ele os
ensinou.” - 1 João 2:20,27.
Também
tenho observado que, muitos dos ditos eruditos, não acreditam que o
Espírito Santo dê dons espirituais aos membros da igreja na
actualidade; que foi só para o “arranque” da igreja...assim como
quem “carrega na embraiagem e mete primeira no seu automóvel mas depois não tem mais nenhuma mudança para continuar”.
Eu percebo que, o erudito com tanta erudição, abstém-se de
comprovar a sua fé.
Não
acreditar nos dons do Espírito para o actual benefício da igreja, a
meu ver, é incredulidade!
Acredito
que seria muito mais proveitoso para a salvação das suas almas, se
se concentrassem apenas na Palavra de Deus, pois o tempo que perdem a
estudar coisas que não edificam nem acrescentam nada à igreja, nem
para si próprios, são inúteis.
Não
estou a defender que o cristão deve ser ignorante mas que o cristão,
se conhecer o seu Senhor, crer e conhecer a Sua Palavra, estará
suficientemente munido de conhecimento e sabedoria que Deus dá, para
discernir o que lhe dizem, para não ser enganado com filosofias e
vãs subtilezas, doutrinas que não se encontram na Bíblia e/ou são
distorcidas, pervertidas ou alteradas. Essa sabedoria é pedida com
fé ao Senhor, que a dá de graça e com abundância, para o cristão
não ser levado para cá e para lá, por todo o vento de doutrina.
O
próprio apóstolo Paulo escreveu numa carta aos filipenses:
““...quanto
ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na Lei,
irrepreensível. Mas
o que para mim era lucro, passei a considerar como perda, por causa
de Cristo. Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com
a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por
quem perdi todas as coisas. Eu
as considero como esterco
para poder ganhar
Cristo e ser encontrado Nele,
não tendo a minha própria justiça que procede da Lei, mas a que
vem mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus e se
baseia na fé.” - Filipenses 3:6-9.
Ele
teve a revelação do Evangelho e disse que considerava o que tinha
aprendido no passado como perca e esterco para ter a suprema grandeza
do conhecimento de Cristo Jesus, nosso Senhor, por quem perdeu todas
as coisas. E ninguém cristão pode dizer que os apóstolos foram ignorantes, pelo contrário, tiveram a sabedoria de Deus e proclamaram-na... é Deus quem
efectua em nós tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a Sua
boa vontade. - Filipenses 2:13. Nós cristãos, somos chamados para
crer no Evangelho e conhecê-lo, para não sermos enganados. Os
apóstolos e o próprio Senhor Jesus, não recomendaram o estudo de
correntes filosóficas e das várias correntes doutrinárias que
pululavam já naquele tempo, mas que vendo-os e ouvindo-os não
fizessem o que eles faziam; e: “...
para que não se envolvam em discussões acerca de palavras; isso não
traz proveito, e serve apenas para perverter os ouvintes.” - 2
Timóteo 2:14.
Quem
quiser ficar ignorante sobre a história do papado e do
protestantismo e “sus muchaxos”, faz bem; Mas aqueles que
quiserem aprofundar as Sagradas Escrituras pedindo sabedoria com fé
a Deus, que a todos a dá livremente – Tiago 1:5 – faz melhor, é
o que eu penso.